sábado, 25 de abril de 2009

www.acronicadehenriquebarreto

– Gonçalo, deixa-me ver aí as notícias se faz favor, implorei ao meu filho mais velho, mal pus um pé fora da cama.
Farto de notícias deveria estar eu, porque no sábado tinha gasto quase três euros em cerca de 500 gramas de papel de jornal num saco de plástico. Além disso, comprei também o Público e desfolhei a Visão da minha mulher.
O problema estava em que, na verdade, o que me apetecia mesmo não era o papel, que costumo entregar na oficina do meu vizinho para ele utilizar nas pinturas. Eu queria era notícias frescas do Freeport, das falências, da crise, e de muitas outras coisas que certamente deveriam ter acontecido na noite em que eu repousava numa cama de casal. Preguiçoso como sou, apetecia-me ver o país e o mundo só com uns cliques!
– Papá, agora deixa-me acabar o jogo. Vai aí ao Magalhães!, responde-me o Gonçalo, sem desviar o olhar do ecrã onde jogava uma partida de snooker virtual.
– Oops, já nem me lembrava do Magalhães. Qual á a password que a tua irmã meteu nisso?, perguntei.
– Eu digo-te papá. É amo-temuitolopes. Só eu é que a sei porque, senão, eles fazem downloads e enchem-me o Magalhães de vírus, chilreou-me ao ouvido a Francisca, de 8 anos digitais.
– Ó Francisca, mas essa password é muito grande. Tens que arranjar uma mais pequena, sugeri-lhe.
– Tenho outra papá. É KIKA, mas amo muito o Lopes, confidenciou-me.

Como é fantástico e maneirinho este Magalhães! Mas... cada a coisa a seu tempo, pensei eu, recordando-me do gozo que me deu aquela lousa, emoldurada em pinho sem o bicho do nemátodo, que há coisa de uma semana tinha adquirido a um artesão, numa feira em Arganil. Senti-me como uma criança e ai de alguém que ousasse tocar na minha lousa, que também tratei de proteger com uma password, igualmente longa como a da Francisca: “proibidomexernaminhaescrivaninha”.
Como recordar é viver, lembrei-me dos erros que nós, miúdos aprendizes numa escola de província – onde tudo era demasiado provinciano –, escarrapachávamos naquelas negras ardósias. Sentença: vinte reguadas com uma régua de pinho, aparentemente, sem nemátodo. Que saudades tenho das mãos sobreaquecidas naquelas gélidas manhãs de Inverno... ao princípio era doloroso, mas cinco minutos depois o sistema até proporcionava algum conforto térmico.
– Estou? Quem fala?
– É pá, é o Xico!
– “Viva, Sr. Xico... então?”
– É pá, estou aqui nas Novas Oportunidades. Não queres vir almoçar?
– Como?
– É isso pá... agora o Sócrates é mais que meu pai! Dá-me quase 600 euros... e olha... estou a tirar o 11º ano.
– Está bem! Então, mas não tinhas uma empresa de venda de queijo da serra e de presuntos?
– Pois tinha pá, mas deitei-me abaixo nas finanças, e 600 euros são 600 euros...
– OK. Sim senhor! Mas, ó Chico, agora estou aqui na internet a pesquisar umas coisas para uma pós-graduação que ando a tirar em Coimbra… sinceramente, não me dá muito jeito.
– Pronto, pronto... deixa-te estar... agora também te dás com esse gajo, o Antero Neto?
– Mas qual Antero Neto, pá? Estou na Internet!
– Pi...pi...pi...pi.... caiu a chamada!

* Eu avisei o director do “J”. Preferia ter feito o Horóscopo... mas ninguém me ligou nenhuma! E tanta coisa que os astros me têm revelado. Poderia ter antecipado, por exemplo, que o Futebol Clube do Porto vai ser campeão; que a crise – pelo menos a minha – prolongar-se-á até quando Deus quiser, ou que o Vital Moreira vai ser deputado ao Parlamento Europeu…

Henrique Barreto
henriquebarreto@correiodabeiraserra.com

Estatuto Editorial do J-Jornalismo


A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, lançou no ano lectivo de 2008-2009, em parceria com o grupo de comunicação social Sojormedia, a pós-graduação “Imprensa Regional”. A criação deste curso foi efectuada em cumprimento do disposto no decreto-lei número 74/2006, de 24 de Março, e nos termos dos decretos-lei, números 155/89 e 42/2005 e 7287-C/2006, respectivamente de 11 de Maio e de 31 de Março.
O envolvimento dos alunos e professores com esta iniciativa de âmbito académico, traduziu-se num reforço puro na reflexão sobre um sector que atravessa uma fase periclitante, fruto de mudanças significativas no mundo da comunicação, da transformação da sociedade e também de uma crise económica avassaladora. Foi muito oportuna a ideia desta pós-graduação dedicada à imprensa regional porque são estes meios de publicação que guardam valiosas memórias de Portugal, que fazem o genuíno jornalismo de proximidade, retratando lugares e pessoas, as histórias e estórias das localidades tantas vezes esquecidas.
O curso foi aberto a licenciados, bacharéis em Jornalismo, Ciências da Comunicação ou cursos afins, bem como a profissionais do mundo do jornalismo com curriculum reconhecido. Teve ao longo do ano várias conferências e seminários que foram sendo promovidos em simultâneo com as disciplinas base “História da Imprensa Regional”, “Os meios de comunicação e o enquadramento legislativo”, “Metodologias de investigação em comunicação”, “Princípios de gestão aplicados à Imprensa Regional”, “Comunicação e marketing da Imprensa Regional”, “Audivisual e media interactivos regionais” e “Como criar um jornal regional”.
No dia 25 de Setembro de 2008, o total de candidatos admitidos para esta pós-graduação, totalizavam vinte e seis estudantes. O resultado é largamente positivo, pela oportunidade da aprendizagem responsável numa Universidade considerada em todo o mundo, pela ligação entre os candidatos à pós-graduação “Imprensa Regional”, professores e comunidade académica.
Ao longo do segundo semestre nasce o jornal J – JORNALISMO. Esta publicação traduz-se na apresentação de vários trabalhos jornalísticos que serviram para avaliação na cadeira “Como criar um jornal regional”, leccionada pelo Dr. Fernando Paulouro e serve de espelho para uma leve percepção do modo como se viveu um ano universitário francamente positivo para todos aqueles que tiveram o privilégio de frequentar este curso superior.
Este curso trouxe aprendizagem mas também mais instrumentos para dinamizar a profissão do jornalismo regional, apresentou dados importantes e muito influentes no seu benefício para o pleno exercício da função de redactor. Incutiu igualmente o espírito de dinâmica dos projectos jornalísticos, com abordagens ao mundo da gestão, organização, planeamento, actualidade e futuro dos media. Aos poucos, cada participante nesta pós-graduação “Imprensa Regional”, foi tendo a noção de que este curso não servia apenas para aprender mas também para dividir saberes, experiências, ideias e formas de actuar como jornalista.
Aqui fica este J – JORNLISMO como testemunha deste acontecimento académico, como um jornal em forma de experiência mas também como prova do sucesso desta iniciativa da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e da Sojormedia. O número 0 que aqui apresentamos, edição de Maio de 2009, é o garante na posterioridade de um curso que acolheu alunos que na sua maioria são profissionais do jornalismo, obreiros da comunicação local, deveras importante para a verdadeira caracterização de Portugal. Este passo académico fez história. Todos os intervenientes nesta pós-graduação “Imprensa Regional”, como pioneiros na sua frequência mas também com o gosto especial de nele terem adquirido conhecimento, orgulham-se de entrarem na história da Universidade de Coimbra.
Como director do J – JORNALISMO, agradeço a confiança que me depositaram, sem excepção de quem quer que seja, pela oportunidade de ser parte integrante de mais um momento decisivo na minha vida. Fomos e seremos uma equipa que continuará na senda da construção da identidade das nossas comunidades locais mas agora com dois novos estatutos: o vínculo que nos une sobre a forma de amizade mas também o facto de sermos portadores de mais bases para desenvolvermos com superior profissionalismo a profissão que abraçamos.
Espero que esta edição do J – JORNALISMO, não seja apenas uma publicação de coleccionador. Com a continuidade desta pós-graduação ou até a própria Universidade de Coimbra, através da respeitada Faculdade de Letras, quem sabe não lhe dará “alma”?


Joaquim Santos

Guiné: da vivência no campo de batalha à esperança do 25 de Abril

A guerra do Ultramar foi uma marca indelével na vida de Joaquim Pereira dos Santos
Joaquim Pereira dos Santos foi apenas um dos muitos Homens que saíram do país, cumprindo as obrigações de um regime ditatorial, de um Estado que controlava alguns países africanos, enquanto colónias.
Guiné, Moçambique e Angola foram palco de batalhas ferozes, de confrontos difíceis, de corpos dizimados pelas catanas ou pelos albuzes, de sangue derramado, sem se saber porquê e para quê tanto sofrimento.
Este jovem do Telheiro, mais tarde radicado em Pousos, é protagonista de uma história de vida vastíssima, pautada pela guerra no Ultramar, onde foi testemunha de um conflito que não desencadeou e com o qual muito menos se identificou. Mas, teve de partir para cumprir ordens superiores, para honrar a nação…
Aquando da sua partida, embarcaram também outros colegas. Muitos voltaram dentro de quatro tábuas, outros nem à pátria tiveram a sorte de retornar.
Joaquim Pereira dos Santos teve um destino diverso: conseguiu regressar, embora diferente. Um trauma de guerra ainda hoje lhe muda os dias e as horas. Sente que o Estado lhe voltou as costas, como a tantos outros que tiveram a sorte de regressar num barco ou avião das ex-colónias portuguesas.

O retrato de uma história de vida na primeira pessoa…
Aos 57 anos de idade, são inúmeras as histórias guardadas no livro da sua memória. Recordações que transporta. Umas pintadas de cor-de-rosa outras de negro.
A infância foi passada com simplicidade. No lugar do Telheiro, na freguesia da Barreira, cresceu lado a lado com os jogos tradicionais da época. Habituou-se, desde catraio, a valorizar a existência de Deus. Assistiu ao crescimento de uma casa com ….. irmãos, onde os pais, apesar de muitas dificuldades, conseguiram, com a mesma panela de sopa, criar, com educação os seus filhos.
Joaquim Pereira dos Santos entrou na escola primária do Telheiro com 7 anos e saiu aos 14 anos, com a quarta classe completa. A partir daí iniciou a sua vida profissional na Pensão Avenida, em Leiria, local onde permaneceu um ano. Posteriormente, ingressou na J. Silva & Irmão, uma fábrica de farinhas, na qual ficou meio ano. A seguir, aceitou o convite para entrar na torrefacção de café “A. Santos”, na estrada da Marinha Grande, cujo proprietário era o mesmo da antiga Pastelaria Soraya. Permaneceu aí durante dois anos.
Aos 20 anos chegou a convocatória para o cumprimento do serviço militar, onde esteve dois anos e meio destacado, em primeiro lugar, no Porto e depois na guerra ultramarina: Guiné-bissau.
Viveu momentos de dificuldade extrema, de desespero absoluto, pensando que o mais certo seria não conseguir retornar a Portugal para conhecer o filho que, entretanto, tinha nascido.
Quando Joaquim Pereira dos Santos regressou do Ultramar, aguardava-o um convite para ingressar na Torrefacção Maia, na estrada da Estação, Bairro das Almoínhas. Durante três anos permaneceu como responsável pela produção de café, assistindo e participando activamente no crescimento da empresa. Posteriormente, a Portucel foi a empresa que veio a privilegiar, numa carreira profissional que durou 26 anos. Em Janeiro de 2009 reformou-se para, finalmente, descansar do longo tempo que se entregou ao trabalho com afinco.

Recordar tempos ancestrais
Carrega a saudade da alegria dos tempos de pequeno, que apelida de “saudáveis”. Não existia o índice de criminalidade como agora, as pessoas agiam mais no colectivo, com mais pureza e verdade nos seus actos. Hoje, o individualismo e a indiferença nas relações humanas, “para além de magoarem, apenas constroem uma sociedade com pessoas de costas voltadas umas para as outras”.
Antigamente, as pessoas uniam-se, festejavam os acontecimentos, como a passagem do ano. Nas aldeias faziam-se as fogueiras e saltava-se sobre elas. As rodas humanas e as várias brincadeiras populares eram os passatempos da época. Não havia droga, álcool, discotecas, tantas mortes por irresponsabilidades de condução. Para Joaquim Pereira dos Santos “a evolução do mundo foi tal que nos coloca na fronteira exacta da reflexão, sobre saber se devemos recuar ou impedir de avançar”.
Foi aos 19 anos que “alguém o agarrou nos Pousos, uma terra que, um ano e meio depois de casar, o fez ficar para sempre”. Conheceu a Maria Judite, o grande amor da sua vida, a mulher que lhe conferiu a alegria dos seus dois filhos. Mas a distância veio impor-se, com um casamento recente a ser invadido pela necessidade de cumprir a vida militar no palco da guerra.

Guiné, a passagem da dor
O entrevistado ao reportar-se à sua ida para a guerra do Ultramar, diz-nos que “seriam precisas muitas horas para relatar o que por lá viveu”. Joaquim Pereira dos Santos confidencia-nos que partiu num avião da TAP para Bissau, com uma bagagem pesadíssima de medo. Quando chegou, gozou de um ano de algum descanso, pois, foi um período durante o qual não houve ataques. Mas o terror chegou, entretanto.
No Natal de 1974, às 00h00, a sua companhia sofreu um ataque devastador pelos “Turras”. Passado pouco tempo foi destacado para Gadamael, uma zona fronteira, a 18 quilómetros de Konacri. Aqui, estavam a ser atacados a cada cinco minutos, assistindo à morte de muitos dos seus amigos, temendo que a qualquer momento, também sobre caísse alguma bala. Nas suas mãos transportou, com dor, alguns colegas inanimados, mortos ou quase mortos, alguns com órgãos à vista, outros conscientes e a gritar devido às dores que sentiam.
Joaquim Pereira dos Santos perdeu a esperança de voltar para Portugal, quase assumindo que, mais tarde ou mais cedo, também ele seria uma estatística, “mais um que voltava deitado”.
Procurando evitar a exposição à batalha, sentindo, no entanto, com a obrigatoriedade de combater, conseguiu o milagre de escapar com vida. Recorda os momentos da recepção da Virgem Maria na Guiné, onde o seu puro agradecimento e dos outros colegas sobreviventes, foi um sentimento que perdurou até à actualidade. Contudo, a mágoa também o acompanhou, lembrando os “bons momentos com alguns dos colegas que tombaram na guerra”.
O cenário mais dramático, na Guiné, foram os momentos em que “carregava os colegas mortos para as berliés, transportando-os para as morgues, ficando, a seguir, a fazer sentinela aos cadáveres, como honra de pátria e respeito pela sua missão”.

A guerra dispensável
O entendimento de Joaquim Pereira dos Santos e da maioria dos colegas era que “tudo aquilo era um trabalho em vão, porque alguém estava interessado em manter a guerra para se ganhar muito dinheiro nos gabinetes, enquanto os militares estavam revoltados e contra a sua vontade, arriscando em cada minuto a própria vida”.
Porém, a boa notícia chegou no dia 25 de Abril de 1974. Joaquim Pereira dos Santos estava a fazer segurança numa ponte de Bafatá e aparecem alguns colegas à noite, “dando a notícia que se tinha dado o 25 de Abril e que, brevemente, regressariam para casa”. Nessa mesma noite ninguém mais dormiu. Apesar da boa nova ter trazido a esperança, mesmo assim, ainda tiveram, durante algum tempo, especialmente no período do desmantelamento, de “levarem com a ira e revolta da população negra que aproveitava qualquer oportunidade para dizimar”.
Os militares portugueses não eram aceites pelos negros, mas a distribuição de comida, roupas e outros auxílios na saúde e segurança, começaram a dar frutos. Foi-se gerando alguma tranquilidade na relação entre portugueses e guineenses.
Os canhões sem recuo e as armas ligeiras desapareceram por completo das ruas e florestas da Guiné. As aldeias e cidades, os povoamentos, apesar de revoltados contra os militares portugueses, foram-se apercebendo, aos poucos, dos novos tempos. A excepção foram alguns militares “Turras” que se refugiaram no mato.
Joaquim Pereira dos Santos, depois de regressar a Portugal, para reorganizar a sua vida familiar, desde a primeira hora, que se sentiu desprotegido e ignorado pelo Estado Português. Na sua opinião, “parece que mais ninguém quis saber de nós, do que fizemos, como regressamos, como ficámos, ficando absolutamente abandonados”. Só um Ministro da Defesa fez alguma coisa pelos militares do Ultramar, situação que lamenta, “porque muitos já faleceram e o Estado nada fez para reparar muitas mazelas e outros que ainda vivem, continuam com o abandono, o esquecimento completo”. Para este ex-militar de 57 anos de idade, “apenas Paulo Portas fez algo pelos militares do Ultramar”.
Hoje, permanecem muitos homens em cadeiras de roda, com doenças que lhes afectam a vida, com traumas que perturbam os dias… Não existem apoios financeiros, muito menos psicológicos, para batalhões de homens que “foram carne para canhão”.

A fé como sentido e a família como luz
Como homem que acredita em Deus, assume que a sua dedicação à religiosidade o conduz a uma vida com mais sentido e força para enfrentar os desafios/problemas da sua existência. A missa dos domingos dá-lhe a consistência para o resto da semana.
Deseja partilhar o resto do tempo que lhe está destinado com a família, privilegiando os melhores momentos com quem verdadeiramente merece. Pelo caminho, ficam as recordações da querida neta que “foi um farol, a orientação pura, a relação mais imaculada desde que se conheceu”. Joaquim Pereira dos Santos espera um dia reencontrar a Eduarda de Sempre, “a menina que tanto modificou, moldou, todo o seu ser”. Para isso acontecer entende que nos seus actos “têm de se traduzir ao merecimento para lá chegar”.
Quanto aos períodos conturbados que passamos pelo mundo fora, na sua maneira de ver, os Governantes do mundo, “em vez de gastarem o dinheiro nas guerras, que o gastem na Paz”. Na sua óptica, existem tantas pessoas pacíficas, que apenas precisam do nosso sorriso, de um prato de comida, de uma roupa para vestir e de uma ajuda para se inserirem na sociedade.
Joaquim Pereira dos Santos tem um sonho que confidencia: “a utopia de que todo o ser humano consiga ser feliz nesta curta passagem”.



Joaquim Santos

“O melhor ofício do mundo”

Emília sonhava ser bailarina. António Figueiredo chegou a pensar em ser padre. Cláudia andou indecisa entre o mundo da advocacia e dos polícias. Se alguns desejavam, em pequenos, seguir outros destinos, a vida levou-os a exercer aquele que é, segundo Gabriel Garcia Marquez, “o melhor ofício do mundo”.
Emília Amaral, de 41 anos, António Figueiredo, 43, e Cláudia Trindade, de 26, são jornalistas. Conheceram-se em Outubro de 2008, nos bancos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra onde, desde então, frequentam a primeira pós-graduação em Imprensa Regional realizada no país.
Com eles, mais cerca de 15 pessoas reúnem-se todas as semanas para discutir o presente e reflectir sobre o futuro da profissão. Todavia, há escassos meses, as expectativas em relação ao curso eram demasiado altas. “Não sendo o que estava à espera, aprendemos sempre algo de novo, quanto mais não seja com a experiência de outros colegas e dos próprios professores”, refere Emília Amaral, directora do Jornal do Centro, em Viseu.
Mesmo assim, o tempo renunciado ao lazer habitual de um fim-de-semana ou à companhia dos amigos e familiares tem valido a pena: “É um complemento de informação técnica e um “fórum” para debate de novas estratégias de abordagem à profissão”, refere por seu turno, António Rosado, jornalista do Diário As Beiras. Afinal, se alguns nunca sonharam tornar-se profissionais da comunicação, hoje, todos os que frequentam a pós-graduação têm, pelo menos, uma coisa em comum: “a preocupação com o futuro e a vontade de saber mais… sempre mais”.









PERSPECTIVAS DE FUTURO

Tânia Lino, hoje com 27 anos e jornalista no jornal “Audiência”, era ainda menina quando fez a primeira reportagem. “Tenho muito presente na mente uma imagem de uma tarde em que peguei num microfone dos meus irmãos e fui com um caderno e uma caneta para junto das árvores de fruto, que o meu pai com canto carinho cuidava. Contei as folhas que a árvore tinha e fiz uma reportagem com tão interessante assunto”, conta.
O bichinho da rádio também se revelou bem cedo na vida de Mário Freire “Em criança cheguei a brincar às rádios, com brincadeiras de entrevistas e simulação de relatos de futebol, mas estava longe de imaginar que esta pudesse vir a ser a minha opção profissional”.
Também António Rosado chegou a simular, com apenas oito anos, programas de rádio “com música na hi-fi lá de casa com micro”.
O tempo foi passando e cada um dos alunos foi trilhando diferentes percursos de vida. Talvez por isso, uma das grandes mais-valias do curso seja, precisamente, a troca de experiência entre colegas. Afinal, contam-se histórias, revelam-se sonhos, partilham-se bons momentos. E os maus também. Como aquele dia – em Abril de 2009 – quando uma colega do curso conheceu a triste realidade do desemprego. Adriana Afonso, que cedo conheceu o mundo do jornalismo criminal, no Rio de Janeiro (de onde é natural), atravessaria o Atlântico para vir trabalhar, durante sete anos, no Jornal O Eco, em Pombal. Naquela tarde, fechava-se uma porta. Outras abrir-se-ão, acreditam os colegas. No entanto, para Adriana, o que mais a entristece “é o facto de não ter perspectivas de futuro”.
Apesar de tudo, ainda há sonhos. Muitos sonhos. Benedita Oliveira, jornalista no semanário Campeão das Províncias, gostava de trabalhar num jornal nacional. Oriana Pataco, de 29 anos e chefe de redacção do Jornal da Bairrada, sonha voltar um dia aos ecrãs de televisão, onde iniciou a carreira.
Emília Amaral deseja montar uma rádio e um jornal numa comunidade africana. “Eles têm “sede” de informação”, justifica. Já o sonho de António Rosado é “fazer jornalismo de “viagens com pessoas dentro”. Gostava de trabalhar num mundo (qualquer que fosse) de gente inteligente”, refere.
A precariedade na profissão é um dos pontos que mais preocupa todos os profissionais que frequentam este curso. Tânia Lino, por exemplo, nunca desistiu do sonho de ser jornalista. Mas, para isso, tem que dividir as horas do seu dia por dois empregos. Por isso – adianta ao “J” –, o seu desejo é vir a trabalhar num órgão de comunicação social que a permita não precisar de ter outro emprego. “Actualmente não consigo viver apenas com o jornalismo, nem quero, pela insegurança que todos os órgãos transmitem. Prefiro não depender financeiramente desta actividade e continuar a fazer o meu trabalho com muita paixão”, revela.

SONHOS E DESILUSÕES

Ser jornalista é, por vezes, uma profissão ingrata. Que o diga Oriana Pataco: “desilude-me a precariedade na nossa profissão. E também o facto do público só saber apontar os erros, as falhas, mas ser ingrato e pouco sensível quando apresentamos bons trabalhos.” Uma opinião partilhada por Diana Claro, jornalista no Diário As Beiras: “Fico desiludida com o facto de não nos darem o devido valor, que não reconheçam o esforço que a profissão exige”. Já, para Mário Freire, o pior no mundo do jornalismo “é a postura de arrogância, inveja e individualismo de alguns colegas”.
A chama do jornalismo, como qualquer outra chama que se preze, necessita de constante alimentação para se manter viva. Em cada um dos alunos desta pós-graduação perdura ainda – apesar de algumas desilusões – a visão romântica do jornalismo. “Apaixona-me a descoberta e a responsabilidade social. Quando percebemos que, por via de um trabalho nosso, conseguimos melhorar a vida de alguém ou fazer alguém feliz, essa é a maior recompensa que se pode pedir”, afirma Oriana Pataco.
Já Mário Freire refere que um dos grandes privilégios da sua profissão é o de “servir causas públicas, contribuindo para o desenvolvimento e uma melhor qualidade de vida, muitas vezes denunciando as injustiças sociais”.



Talvez seja por isso que, apesar da precariedade e de alguma incompreensão, cada um daqueles alunos (ainda) mantenha ainda, “a chama viva”. “Bem lá no fundo, já gosto do sítio onde trabalho...”, diz Diana Claro.




“Um dia gostava de ser reconhecida como uma excelente profissional. Sou feliz onde estou”, diz, por sua vez, Claúdia Trindade, também jornalista no Diário As Beiras.
Ser jornalista é, também, saber resistir, apesar das barreiras, das pressões, da vida quotidiana ameaçada de carências e desgraçadas. E a prova está ali, naqueles bancos da Faculdade de Letras, onde apesar de tudo, a opinião é unânime: “ser jornalista é (mesmo) o melhor ofício do mundo”.








Patrícia Cruz Almeida

IMPRENSA REGIONAL

Pós-graduação abre novas perspectivas tecnológicas










Fernando Guedes da Silva e Paulo Miguel Proença, membros da direcção executiva da distribuidora Vasp

A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) é pioneira em cursos de pós-graduação em Imprensa Regional existentes em instituições portuguesas de ensino superior. Ao longo do ano lectivo 2008/09, duas dezenas e meia de profissionais da comunicação social regressaram aos bancos da escola para abordar novos conceitos de imprensa.


O presidente do Conselho Executivo da FLUC, Carlos André, considera que o curso em Imprensa Regional é “triplamente inovador” por ser “a primeira vez que se faz uma pós-graduação em imprensa regional em Portugal”, a que se junta o facto de obedecer a “uma construção do plano curricular que não tem a matriz tradicional”, possibilitando, assim, a abordagem de “uma pluralidade de temas”. Na sessão de lançamento da pós-graduação, em Novembro de 2008, o docente sublinhou o facto de ser “a primeira vez que fazemos um curso em parceria com uma empresa privada, neste caso de comunicação social”. Esta circunstância foi também sublinhada por Francisco Rebelo Santos, administrador da Sojormedia, acrescentando que “a qualificação das pessoas é a primeira resposta a dar para vencer as transformações que se verificam na sociedade actual”.
Também o director do jornal diário “Público”, José Manuel Fernandes, orador convidado para a conferência de abertura do curso de pós-graduação leccionado na FLUC, abordou as estratégias seguidas pelos jornais para fazer frente à concorrência da Internet, defendendo que “a solução é utilizar os novos meios a nosso favor”, referindo-se à necessidade dos jornais tradicionais de formato papel desenvolverem plataformas on-line cada vez mais interactivas.
Leitores têm uma palavra a dizer
Nessa perspectiva confessou que os indicadores revelados pelo tipo de leitores que consultam o portal do “Público”, nomeadamente o género de notícias que procuram e os temas mais consultados, já começam a ter influência junto da direcção do periódico na escolha das manchetes do jornal. No quadro da imprensa regional, o responsável considerou que “é muito importante capturar o interesse dos leitores a nível local”, ressalvando que “tudo o que é feito nos jornais tem que ser feito com qualidade, sem ceder a facilitismos”. Perante uma plateia de cerca de meia centena de ouvintes, metade dos quais eram alunos de pós-graduação, José Manuel Fernandes concluiu que, mesmo atendendo ao domínio da Internet, “não vale a pena decretar a sentença de morte dos jornais porque isso já aconteceu muitas vezes, sem que se tivesse concretizado”. A pós-graduação em Imprensa Regional decorre até 2 de Maio de 2009, integrando conteúdos como o “Enquadramento Legislativo” dos meios de comunicação, “Princípios de Gestão Aplicados à Imprensa Regional” e “Metodologias de Investigação em Comunicação”. Ao longo do curso decorreram diversos seminários, destacando-se a presença dos jornalistas espanhóis, Beito Rubio, Manuel Campo Vidal e Francisco Moreno, assim como, Paulo Miguel Proença, director –geral da distribuidora de imprensa Vasp.
António Rosado

Novo paradigma da informação exige jornalistas multimédia

Francisco Moreno é um dos mais conceituados observadores do fenómeno comunicacional espanhol.
O contínuo fluxo de notícias e as múltiplas plataformas de comunicação são um desafio permanente aos jornalistas. A nova realidade exige que os profissionais da comunicação dominem as diversas linguagens de escrita e audiovisual.

Um dos mais destacados profissionais da comunicação social espanhola e observador especializado do fenómeno audiovisual, Francisco Moreno, disse em Coimbra que “quanto mais controlo o jornalista tiver do todo o processo de concepção e transmissão da informação, maior rigor terão as notícias”. O especialista, que já assumiu cargos de direcção da TVE Canárias e da Antena 3 Las Palmas, esteve presente num dos seminários do curso de pós-graduação em Imprensa Regional, que está a decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Respondendo ao desafio “O jornalista do futuro: produtor ou mediador de conteúdos”, Francisco Moreno garantiu que “depois da actual crise económica, a paisagem do audiovisual será completamente diferente”, reforçando a convicção de que “os meios de comunicação social não vendem papel, nem ondas, nem banda larga; mas sim conteúdos”.
Nesta perspectiva, exige-se aos jornalistas o completo domínio de todas as formas de recolha de informação, tirando o máximo partido da “multiplicidade do material digital existente, para transmitir o impacto emocional dos factos registados”.
Constatando que os grandes grupos de comunicação social espanhóis estão a confrontar-se com prejuízos de milhões, provocando um elevado número de despedimentos, Francisco Moreno mostrou-se convicto de que a comunicação social saberá encontrar o seu caminho como actividade empresarial sustentável. Nesse quadro, o orador afirmou que “no futuro, deverá ser o consumidor de informação a pagar o produto que quer obter”, referindo o iTunes como exemplo de aquisição de um conteúdo específico, como é o caso da música.
Na esfera da imprensa regional, a confluência de meios será uma das soluções para rentabilizar os conteúdos, sendo muito importante “a credibilidade que o título do órgão de comunicação tem junto dos consumidores” para se afirmar como fornecedor de conteúdos, concluiu.

António Rosado

Rádios Locais e Jornais Regionais

Redacções com poucos licenciados

Embora existam centenas de diplomados em Comunicação Social, formados na Escola Superior de Educação de Viseu, poucos encontraram emprego nas rádios e jornais regionais. Uma realidade que pode vir a ser alterada.
Quinze anos após a criação do Curso de Comunicação Social na Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV) do Instituto Politécnico são poucos os licenciados que encontraram trabalho nas rádios locais e jornais regionais do distrito.
Dos que desempenham funções na área da comunicação social a maior percentagem está nas redacções dos jornais.
Nas rádios locais, o número de empresas com licenciados em Jornalismo ou Comunicação Social, ronda os 31 por cento, enquanto que na imprensa é o dobro, 64 por cento.
A percentagem de licenciados nas redacções desce para metade se for tido em conta o total de colaboradores. Nas rádios baixa para os 12,8 por cento e nos jornais para 48 por cento.
A realidade mostra que as rádios locais têm cada vez com menos colaboradores, já que os meios informáticos podem garantir a emissão autonomamente. É possível uma única pessoa assegurar a programação durante 24 horas, parecendo uma emissão em directo. A “playlist”, sequência de músicas transmitidas ao longo dia, é gerada automaticamente pelo computador. As intervenções do locutor também podem ser gravadas, sendo transmitas à hora pretendida. O mesmo acontece com a publicidade e os sinais horários.
Este é um “truque” também utilizado por algumas rádios nacionais, principalmente as que têm uma programação essencialmente musical.
Para o director da Rádio Clube de Lamego, professor primário aposentado, os licenciados não são para as rádios locais. “Não temos dinheiro para lhes pagar”, explica.
Todos os responsáveis das rádios que foram contactados queixam-se que os tempos são de grande contenção. O mercado publicitário “está cada vez pior” e essa é a principal, se não a única, fonte de receita das rádios.
Porém, as estações que apostam na informação local e regional não podem abdicar de ter colaboradores permanentes afectos à redacção.
O computador ainda não faz as notícias, nem vai à rua fazer reportagem, referem alguns dos jornalistas que trabalham nas rádios locais.



Rádios com poucos canudos


Além das questões financeiras, que impedem a contratação de novos colaboradores, o número reduzido de licenciados nas rádios pode também ser explicado com o facto de muitas trabalharem ainda com os “entusiastas” das rádios piratas, responsáveis, na década de 80, pelo movimento que levou à legalização das rádios locais.
Na altura os jovens quando entravam para a rádio ganhavam o “bichinho”, formavam-se como autodidactas e por lá permaneceram, valendo-se da experiência e da prática.
Hoje quem agora bate à porta das rádios são os jovens que acabaram o curso de Comunicação Social ou Jornalismo e querem fazer um estágio curricular ou profissional. Foi o caso de Ricardo Ferreira, a trabalhar na Rádio Vouzela. Quando terminou o curso na ESEV, fez um estágio curricular, de três meses, na Rádio NOAR em Viseu. “ Foi aí que aprendi a ser jornalista”, realça.
O estágio curricular abriu-lhe depois a porta para um estágio profissional do Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP), na Rádio Vouzela, onde hoje é funcionário do quadro.
Trabalha com dois colegas, mais antigos na casa, que não têm curso superior.
Não ganha mais por ter um “canudo”.
“O curso é bom para entrar na profissão, através dos estágios profissionais., mas depois somos como os outros”, refere.
Tendo em conta os cerca de 40 colegas de curso, Ricardo Ferreira pode considerar-se quase uma excepção. A maioria não está a trabalhar na área para a qual se formou.
Cerca de 5 por cento ainda estão desempregados. Os que estão a trabalhar a maioria só encontrou emprego no comércio. Dois desempenham funções em gabinetes de assessoria de imprensa e outros dois são jornalistas.

As empresas têm receio dos licenciados

Percurso inverso fez Pedro Pontes. Já estava na área, trabalhava numa rádio local quando há três anos se matriculou no Curso de Comunicação Social. Hoje desenvolve, por conta própria, actividade na área da assessoria de imprensa e imagem junto de empresas e municípios. Dos colegas que acabaram o curso em Junho (cerca de 40), a quase totalidade está desempregada ou emigrou. Dois encontram-se a fazer estágio.
Pedro Pontes diz que a licenciatura “não promove” quem já está no ramo e considera que até poder contribuir para que as empresas afastem estes profissionais aos quais não querem pagar mais pelo facto de serem licenciados.
Lamenta o sistema e o “círculo vicioso”, onde as empresas promovem sucessivos estágios profissionais, mas não criam emprego.
Uma situação que leva muitos recém-licenciados a “ quase pagarem para trabalharem de borla, para ganharem currículo”, refere.
Considera que os alunos de comunicação social ou jornalismo são enganados ao tirarem um curso para uma profissão à qual se pode aceder sem qualquer tipo de formação académica.
“ Gostava de ser médico, ou professor, mas não posso porque não tenho formação nessa área”, exemplifica com ironia.


Jornais com mais canudos e carteiras profissionais

Nas redacções dos jornais regionais para além de se encontrar uma maior percentagem de licenciados em jornalismo e comunicação social, há também uma outra diferença em relação às rádios. A maior dos colaboradores que faz informação nos jornais tem Carteira Profissional de Jornalista.
Uma situação para a qual deve ter contribuído, o Decreto-Lei n.º 56/2001, que regulamenta a atribuição de porte pago às publicações e que obriga as empresas a terem funcionários no quadro e jornalistas.
Nas rádios a realidade é muito diferente encontrando-se ainda muitos colaboradores que fazem notícias sem terem Carteira Profissional de Jornalista, contrariando as normas legais. O artigo 40 da Leia da Rádio diz que os serviços noticiosos, bem como as funções de redacção, são obrigatoriamente assegurados pelos jornalistas ou equiparados.A ausência de fiscalização no sector é umas das razões apontadas, por quem trabalha na rádio, para que a lei não seja cumprida.
Em muitas estações existem profissionais que para além de fazerem informação também vendem e gravam publicidade, atropelando as regras deontológicas a que a profissão está obrigada.

Estudo sobre empregabilidade


CANANUDO NÃO AUMENTA OS SALÁRIOS


Luís Nuno Sousa, Professor na Escola Superior de Educação de Viseu (ESEV) fez um estudo, para um tese de mestrado, sobre “Processo(s) de transição para o trabalho : o caso dos diplomados em Comunicação Social “.
A análise teve por base os alunos que frequentaram e terminaram os cursos entre os anos de 1994 e 2000.
Em 84 casos identificados foi possível observar 70, sendo metade estudantes a tempo inteiro e a outra metade trabalhadores-estudantes.
Um dos objectivos do estudo era analisar de que forma decorreu a integração profissional e respectivos percursos profissionais.
Entre os que procuraram o primeiro emprego após terminarem o curso, quase metade, (46,7 por cento) diz estar a exercer uma actividade de acordo com a formação superior recebida. Trata-se de um resultado que o Professor da ESEV, autor do estudo, considerou “satisfatória “, embora os empregos tenham uma remuneração “baixa”, referiu, sem especificar.
Quanto ao trabalhadores estudantes, só 22,9 por cento desempenhavam funções em áreas ligadas ao curso, sendo que 51,4 por cento eram funcionários em serviços de instituições públicas e privados.
Após a conclusão do curso só um dos inquiridos disse ter melhorado o salário, mantendo o mesmo emprego.
Vinte continuaram no mesmo local de trabalho e com o mesmo ordenado. Oito permaneceram no mesmo emprego , mudando de categoria profissional, não sendo especificando se tiveram ou não melhoria salarial. Quatro mudaram de profissão.
O estudo diz confirmar o “imobilismo” e que o acesso ao diploma do curso superior “não influencia” a situação profissional já existente.


António Figueiredo