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sábado, 25 de abril de 2009

Efeito J na vida portuguesa

Será que Portugal é a zona J da Europa?

Uns dizem que é por causa da morosidade da Justiça, alguns apontam o dedo ao Jornalismo que temos, muitos falam da falta de Juízo dos políticos e outros até dizem que a influência de Júpiter na conjugação dos astros é especialmente prejudicial a este jardim à beira-mar plantado.
Já basta. Já não há pachorra para os janotas que assumem cargos na vida pública, mas que, no fundo não passam de Zés-Ninguém. Nesta história, o povo faz o papel de João-Pestana, de olhos fechados, incapaz de ver aquilo que se passa mesmo à sua frente.
O efeito J na vida política portuguesa começa logo nas “jotas” partidárias e evolui depois para diversos fenómenos personalizados. Veja-se a forte presença do J no Governo, desde José Sócrates a Jaime Silva, passando por Ana Jorge, José Vieira da Silva ou José Pinto Ribeiro, para além de diversos secretários de Estado, adjuntos, chefes de gabinete e directores-gerais. Noutras instâncias surge José Manuel Durão Barroso ou Jorge Sampaio, José Miguel Júdice (mais à direita), ou Jerónimo de Sousa, na ala esquerda.
Reconheçamos que, no que diz respeito a nomes de homens e mulheres na política portuguesa, a letra J não é caso único. Há outras letras como P, O, D, E ou R, que também têm “dignos” representantes na vida pública portuguesa.
Este país tornou-se um Ai! Jesus nos acuda... e isto não é um problema de religião, é uma questão de confiança. Fazem-se juras de amor que não são cumpridas. Firmam-se juramentos de lealdade, rapidamente desrespeitados. Garantem-se decisões justas que não passam de intenções.
A vida dos portugueses oscila entre o sonho de riqueza do Jackpot no Euromilhões, o Joystick da consola de jogos ao fim de cada dia de trabalho, ou o Jet-leg da viagem transatlântica paga a crédito bancário.
Enquanto na Europa se bebe uísque, os portugueses contentam-se com jeropiga. No estrangeiro faz-se criação de cavalos puro-sangue mas nós albardamos jumentos. Os outros países organizam-se por regiões, Portugal aposta nas juntas de freguesia.
O J parece ser uma fatalidade para este país. Assim, arriscamo-nos a ser a tal “Jangada de Pedra” à deriva, descrita por José Saramago… (olha, cá está um distinto J na literatura, aliás, como os há em diversas outras áreas da sociedade: Jesualdo Ferreira ou José Mourinho no futebol; José Rodrigues dos Santos, José Eduardo Moniz, José Alberto Carvalho ou Judite de Sousa no jornalismo; João Cutileiro e Mestre José Malhoa nas belas-artes; João Lobo Antunes na neurocirurgia; José Afonso na música ou Jerónimo Martins nos negócios). Mas estes nomes são as excepções que confirmam a regra, dizem os mais pessimistas.
Perante o quadro traçado, será possível fazer jejum deste país?!

António Rosado

IMPRENSA REGIONAL

Pós-graduação abre novas perspectivas tecnológicas










Fernando Guedes da Silva e Paulo Miguel Proença, membros da direcção executiva da distribuidora Vasp

A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (FLUC) é pioneira em cursos de pós-graduação em Imprensa Regional existentes em instituições portuguesas de ensino superior. Ao longo do ano lectivo 2008/09, duas dezenas e meia de profissionais da comunicação social regressaram aos bancos da escola para abordar novos conceitos de imprensa.


O presidente do Conselho Executivo da FLUC, Carlos André, considera que o curso em Imprensa Regional é “triplamente inovador” por ser “a primeira vez que se faz uma pós-graduação em imprensa regional em Portugal”, a que se junta o facto de obedecer a “uma construção do plano curricular que não tem a matriz tradicional”, possibilitando, assim, a abordagem de “uma pluralidade de temas”. Na sessão de lançamento da pós-graduação, em Novembro de 2008, o docente sublinhou o facto de ser “a primeira vez que fazemos um curso em parceria com uma empresa privada, neste caso de comunicação social”. Esta circunstância foi também sublinhada por Francisco Rebelo Santos, administrador da Sojormedia, acrescentando que “a qualificação das pessoas é a primeira resposta a dar para vencer as transformações que se verificam na sociedade actual”.
Também o director do jornal diário “Público”, José Manuel Fernandes, orador convidado para a conferência de abertura do curso de pós-graduação leccionado na FLUC, abordou as estratégias seguidas pelos jornais para fazer frente à concorrência da Internet, defendendo que “a solução é utilizar os novos meios a nosso favor”, referindo-se à necessidade dos jornais tradicionais de formato papel desenvolverem plataformas on-line cada vez mais interactivas.
Leitores têm uma palavra a dizer
Nessa perspectiva confessou que os indicadores revelados pelo tipo de leitores que consultam o portal do “Público”, nomeadamente o género de notícias que procuram e os temas mais consultados, já começam a ter influência junto da direcção do periódico na escolha das manchetes do jornal. No quadro da imprensa regional, o responsável considerou que “é muito importante capturar o interesse dos leitores a nível local”, ressalvando que “tudo o que é feito nos jornais tem que ser feito com qualidade, sem ceder a facilitismos”. Perante uma plateia de cerca de meia centena de ouvintes, metade dos quais eram alunos de pós-graduação, José Manuel Fernandes concluiu que, mesmo atendendo ao domínio da Internet, “não vale a pena decretar a sentença de morte dos jornais porque isso já aconteceu muitas vezes, sem que se tivesse concretizado”. A pós-graduação em Imprensa Regional decorre até 2 de Maio de 2009, integrando conteúdos como o “Enquadramento Legislativo” dos meios de comunicação, “Princípios de Gestão Aplicados à Imprensa Regional” e “Metodologias de Investigação em Comunicação”. Ao longo do curso decorreram diversos seminários, destacando-se a presença dos jornalistas espanhóis, Beito Rubio, Manuel Campo Vidal e Francisco Moreno, assim como, Paulo Miguel Proença, director –geral da distribuidora de imprensa Vasp.
António Rosado

Novo paradigma da informação exige jornalistas multimédia

Francisco Moreno é um dos mais conceituados observadores do fenómeno comunicacional espanhol.
O contínuo fluxo de notícias e as múltiplas plataformas de comunicação são um desafio permanente aos jornalistas. A nova realidade exige que os profissionais da comunicação dominem as diversas linguagens de escrita e audiovisual.

Um dos mais destacados profissionais da comunicação social espanhola e observador especializado do fenómeno audiovisual, Francisco Moreno, disse em Coimbra que “quanto mais controlo o jornalista tiver do todo o processo de concepção e transmissão da informação, maior rigor terão as notícias”. O especialista, que já assumiu cargos de direcção da TVE Canárias e da Antena 3 Las Palmas, esteve presente num dos seminários do curso de pós-graduação em Imprensa Regional, que está a decorrer na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Respondendo ao desafio “O jornalista do futuro: produtor ou mediador de conteúdos”, Francisco Moreno garantiu que “depois da actual crise económica, a paisagem do audiovisual será completamente diferente”, reforçando a convicção de que “os meios de comunicação social não vendem papel, nem ondas, nem banda larga; mas sim conteúdos”.
Nesta perspectiva, exige-se aos jornalistas o completo domínio de todas as formas de recolha de informação, tirando o máximo partido da “multiplicidade do material digital existente, para transmitir o impacto emocional dos factos registados”.
Constatando que os grandes grupos de comunicação social espanhóis estão a confrontar-se com prejuízos de milhões, provocando um elevado número de despedimentos, Francisco Moreno mostrou-se convicto de que a comunicação social saberá encontrar o seu caminho como actividade empresarial sustentável. Nesse quadro, o orador afirmou que “no futuro, deverá ser o consumidor de informação a pagar o produto que quer obter”, referindo o iTunes como exemplo de aquisição de um conteúdo específico, como é o caso da música.
Na esfera da imprensa regional, a confluência de meios será uma das soluções para rentabilizar os conteúdos, sendo muito importante “a credibilidade que o título do órgão de comunicação tem junto dos consumidores” para se afirmar como fornecedor de conteúdos, concluiu.

António Rosado